Kalunga planeja mais lojas e novo centro de distribuição.

Na rua da Moóca, zona leste de São Paulo, entre antigos galpões e armazéns colados uns aos outros, uma pequena porta leva ao segundo andar do prédio onde fica o comando da rede de lojas Kalunga, a maior varejista da área de papelaria e material de escritório do país. Discretíssima e sempre reservada em relação aos negócios, a empresa acabou se tornando um daqueles casos raros do varejo brasileiro. Mesmo quando pouco se movimenta, ela consegue crescer.

No ano passado, inaugurou cinco lojas apenas, e o faturamento bruto aumentou 17,5% (o setor cresceu 18%, incluindo novas lojas, aponta o IBGE). Com 60 lojas, a varejista alcançou a marca do R$ 1 bilhão em vendas em 2010, período em que apesar da expansão, a empresa acha que “nem foi tão bem”, critica, sem sinal de constrangimento, Roberto Garcia, filho do fundador Damião Garcia.

“Tivemos gargalos. Vendemos muito e não estávamos preparados. Acabamos tendo que reorganizar nossa estrutura para dar conta. Mas aprendemos”, diz Roberto, ao lado do irmão Paulo Garcia, em entrevista na tarde de quinta-feira, concedida na sede da companhia. Em mais de duas horas de conversa, os dois empresários contam que querem mudar a postura da empresa.

Acham que podem mostrar um pouco mais o que pretendem fazer e como. É uma abertura maior ao mercado que tem a ver com o processo de amadurecimento da rede e início da profissionalização da gestão.

“Estamos atrasados nisso”, admite Paulo, a respeito da profissionalização. É parte crucial num plano maior, que envolve uma possível abertura de capital da empresa. “Todos os caminhos são possíveis. Analisamos tudo hoje. Sou muito amigo de gente do mercado financeiro”, conta Roberto. “Se me falassem em venda ou IPO lá nos anos 80, era uma ofensa para a gente. Pensávamos: Como assim? Acham que a gente é tão ruim assim. Agora não é mais ofensa, é elogio”, diz ele.

Parte desses novos planos para a empresa já estão saindo do papel. A rede está montando um banco de terrenos para abrir 20 lojas por ano em 2011 e 2012, com investimento previsto de cerca de R$ 1 milhão por loja. Existem hoje 22 terrenos já adquiridos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. “Vamos nos expandir aonde já estamos. Agora, não vamos abrir lojas no Nordeste”, diz Roberto. “Lá é muito bom, mas agora não dá. Ainda temos espaço por aqui”, completa Paulo.

Segundo a linha de frente, o plano é mais que dobrar a receita bruta da companhia em cinco anos. A Kalunga quer crescer 20% ao ano até 2015, o que levará o faturamento a R$ 2,1 bilhões em cinco anos. “Já estamos nos expandindo nessa faixa neste ano”, diz Paulo.

É algo que virá não só das novas lojas, como da expectativa de maior demanda do mercado corporativo, responsável por 65% da receita do grupo. Nesse segmento, estão todas as vendas que têm um perfil de compra para empresas. Um grande venda de cartuchos de toner (para imprimir papel) feita no site, por exemplo, é classificada como venda corporativa, “pois ninguém que mora numa casa hoje compra lotes grandes do produto”, explica Roberto. “O boom dos home offices também vai nos ajudar ainda mais”, completa.

Há ainda outro movimento. Está em discussão na Kalunga a criação de um novo modelo de loja para os próximos anos. A rede estuda a criação de pontos com metragens menores, de 400 metros a 500 metros quadrados (as aberturas previstas para abril chegam ao dobro disso). É o espaço ideal para que a Kalunga caiba dentro dos novos shopping centers. Um terço das recentes inaugurações da rede já tem acontecido hoje nesses empreendimentos.

“Seria uma espécie de “Kalunga Express” ou “Kalunga Office”, com o máximo de mix de produtos que pudermos ter”, diz Roberto, sem precisar quantas lojas a serem inauguradas caberiam nesse novo modelo. “Não deve chegar perto da metade, talvez um terço”, estima. O novo ponto a ser aberto neste mês, no Shopping São Gonçalo, no Rio, tem 492 metros quadrados. “E cabe tudo lá”, diz Paulo.

Pelas contas do comando da rede, se conseguir dobrar de tamanho entre 2011 e 2015, a companhia terá ido um pouco além dos últimos resultados. É que a Kalunga conseguiu duplicar de tamanho em sete anos, de 2004 a 2010. A receita pulou nesse período de R$ 497 milhões para R$ 1 bilhão. Poderia ter sido melhor, se não fosse um problema. No ano passado a companhia precisou abrir às pressas um novo centro de distribuição (CD).

“Não tinha jeito, o nosso único CD de Barueri [São Paulo] já não era o bastante”, admite Paulo. A saída foi repartir os estoques em dois CDs. A Kalunga conseguiu um novo espaço de 12 mil metros quadrados em Tamboré (SP) no ano passado, para onde foi o estoque da venda pelo site, pelo telefone a dos contratos corporativos. E em Barueri ficou só a estrutura para atender as 60 lojas. Mas essa divisão vai acabar.

A Kalunga irá abrir um novo CD, que deverá ser o único da rede no Brasil. Vai reunir todo o estoque – a rede vende todo mês 1,2 milhão de canetas BIC e acima de mil toneladas de papel. O novo terreno fica em Itaquaquecetuba (SP) e tem 61 mil metros quadrados de área útil, 60% maior que os dois CDs juntos. “Acho que isso nos garante alguma tranquilidade por uns 10 ou 12 anos”, torce Paulo. O investimento, que começa neste ano e vai até fim de 2012, será de R$ 50 milhões.

Fonte: Valor Econômico

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